terça-feira, 21 de junho de 2011

Canção para Nix

Não me interprete mal
quando digo que sou
uma criatura das trevas.
Não sou daqueles que fazem
o mal a outras pessoas.
(Faço mal, e bastante,
apenas e tão-somente
a mim mesmo.)
Nem adoro Satanás
ou outras entidades
que governam as esferas infernais.
Nada tenho com eles,
pactos ou acordos tais.
Mas cultivo dentro de mim,
não sei se por vontade ou coagido
(nunca me perguntei
nem jamais perguntarei),
uma irresistível tristeza,
uma intensa melancolia,
prefiro as trevas à luz,
a escuridão à claridade,
 lágrima ao riso,
o silêncio ao barulho,
a noite ao dia,
o crepúsculo à aurora,
o vácuo à terra firme,
o mistério à revelação,
(quase sempre) a mentira à verdade
[aquela não dói, ao passo que esta fere],
a fantasia à realidade,
o sonho ao despertar,
a utopia e a quimera
ao fato e ao possível,
a lua ao sol...
c
Sob esses aspectos,
sou trevoso, dark, gótico,
negro gato em sexta-feira 13 de agosto,
e gosto do que sou.
E se é verdade que os opostos se atraem,
uma estrela radiante, uma supernova
explodindo em silêncio no cosmo,
um raio de luz cegante em poder e resplendor,
não seria má companhia,
num contraponto que nos completaria
e faria dos dois um.
c
Mas não estou procurando.
Eu não exijo nem peço,
e nem mesmo espero
nada da Noite;
apenas tento usar bem
aquilo que Ela me traz...
vvc

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