Que dor desgraçada é essa
Que, mais que as outras, dói mais fundo?
Pior que a de cabeça, e até do que a de dente,
Não passa, machuca insistente,
E arrebenta com o coração da gente?
Que dor é essa que dá um nó na garganta,
Que aperta o coração com mão gelada,
Que faz a gente olhar para tudo
E não se interessar por absolutamente nada?
Que dor é essa que tira toda a nossa paz?
Que mesmo eu não sendo católico,
E muito menos apostólico,
Chego a gemer “minha Nossa Senhora,
Me dá uma força nessa hora,
Que esse negócio tá ruim demais!”?
Diz a sabedoria popular do povo mais antigo
Que homem não chora, veja você!
Homem eu sei que sou, e provo a qualquer hora,
Mas sei também que choro e minha alma chora
Que nem criança de colo suja e faminta!
Por essa pessoa que eu amo,
E cujo nome em pensamento chamo,
Não há tipo de dor que eu não sinta!
Tem muita doença que é cruel tortura,
Tem muita perda que tira o sono,
Mas a faca afiada que mais perfura
É a lâmina terrível do abandono!
Dizem que é triste ter e perder,
Mas quem fala desconhece o sentido
Se não for alguém, como eu, a sofrer
A dor de abrir mão de um amor proibido.