terça-feira, 21 de junho de 2011

NAMORADA
A namorada é misteriosa.
A palavra, se não a pessoa.
Sonora, aberta, estrepitosa,
fica no ar depois que soa.
Pra namorar é preciso coração,
senão é caso, parceira, ficante.
Amor é a base da relação,
ou então fica desimportante.

Engraçado que, se for analisar,
quebrar a palavra em fragmentos,
o verbete nos vem ensinar
que o termo envolve sentimentos.
É preciso haver o amor,
vive bem no meio de “nAMORada”.
Se o retirarmos, como a uma flor,
o que é que sobra? Nada.
 (AUTOR: Celso Moraes, com registro na Biblioteca Nacional)
dd
A diferença entre o remédio e o veneno
é a qualidade e o tamanho da dosagem; 
disso eu sei desde quando era pequeno
e não tinha do mundo a real imagem.
Se ele tenta, sempre em vão, ficar ameno,
passando pela boca gostosa beberagem,
ocorre que, ao invés de ‘star sereno,
o inferno ensaia uma abordagem.
Instala-se o vício da droga inacessível,
e, para evitar o mal previsível
da frustração e da insana tortura,
o sujeito mergulha na consciência
de que a total abstinência
é o segredo para a cura.
 12/10/2007
s

WTF???

Que dor desgraçada é essa
Que, mais que as outras, dói mais fundo?
Pior que a de cabeça, e até do que a de dente,
Não passa, machuca insistente,
E arrebenta com o coração da gente?

Que dor é essa que dá um nó na garganta,
Que aperta o coração com mão gelada,
Que faz a gente olhar para tudo
E não se interessar por absolutamente nada?

Que dor é essa que tira toda a nossa paz?
Que mesmo eu não sendo católico,
E muito menos apostólico,
Chego a gemer “minha Nossa Senhora,
Me dá uma força nessa hora,
Que esse negócio tá ruim demais!”?

Diz a sabedoria popular do povo mais antigo
Que homem não chora, veja você!
Homem eu sei que sou, e provo a qualquer hora,
Mas sei também que choro e minha alma chora
Que nem criança de colo suja e faminta!
Por essa pessoa que eu amo,
E cujo nome em pensamento chamo,
Não há tipo de dor que eu não sinta!

Tem muita doença que é cruel tortura,
Tem muita perda que tira o sono,
Mas a faca afiada que mais perfura
É a lâmina terrível do abandono!
Dizem que é triste ter e perder,
Mas quem fala desconhece o sentido
Se não for alguém, como eu, a sofrer
A dor de abrir mão de um amor proibido.
f

Átimo

Quanto tempo levo eu
pra te ver passar na rua?
Rápido como o orgasmo,
momento em qu’eu, pasmo,
te vejo passar tao linda.
E quando esse transe finda,
fico com tal sensação
de vazio, indefinida,
que é como se minha vida
pra outra coisa não servisse
que não fosse para ver-te,
e também para querer-te...
26/10/2000
c

VAZIO

(...)
Estou fantástica e indescritivelmente vazio.
Meu coração é uma casa reservada
para alguém que jamais morará nela.
Mesmo assim, jamais cederei a vaga a outra pessoa.
Se não posso ter a única criatura
que desejo em todo o universo,
não me contentarei com menos.
Prefiro a solidão à companhia
de qualquer outra que não seja ELA.
v

Canção para Nix

Não me interprete mal
quando digo que sou
uma criatura das trevas.
Não sou daqueles que fazem
o mal a outras pessoas.
(Faço mal, e bastante,
apenas e tão-somente
a mim mesmo.)
Nem adoro Satanás
ou outras entidades
que governam as esferas infernais.
Nada tenho com eles,
pactos ou acordos tais.
Mas cultivo dentro de mim,
não sei se por vontade ou coagido
(nunca me perguntei
nem jamais perguntarei),
uma irresistível tristeza,
uma intensa melancolia,
prefiro as trevas à luz,
a escuridão à claridade,
 lágrima ao riso,
o silêncio ao barulho,
a noite ao dia,
o crepúsculo à aurora,
o vácuo à terra firme,
o mistério à revelação,
(quase sempre) a mentira à verdade
[aquela não dói, ao passo que esta fere],
a fantasia à realidade,
o sonho ao despertar,
a utopia e a quimera
ao fato e ao possível,
a lua ao sol...
c
Sob esses aspectos,
sou trevoso, dark, gótico,
negro gato em sexta-feira 13 de agosto,
e gosto do que sou.
E se é verdade que os opostos se atraem,
uma estrela radiante, uma supernova
explodindo em silêncio no cosmo,
um raio de luz cegante em poder e resplendor,
não seria má companhia,
num contraponto que nos completaria
e faria dos dois um.
c
Mas não estou procurando.
Eu não exijo nem peço,
e nem mesmo espero
nada da Noite;
apenas tento usar bem
aquilo que Ela me traz...
vvc

COISAS DA REDE

A gente que é usuário da net acaba vendo coisas deveras estranhas. Na comunicação virtual, tentamos expressar nossos sentimentos e emoções de uma maneira que jamais será igual ao que fazemos ao vivo. Os "rsrsrs" e "kkkkk" são um exemplo, para mostrar que estamos sorrindo ou rindo ou ("KKKKKKKKKKKK") gargalhando. Mas outro dia achei uma frase sinistra: "O cara que digitou rsrsrsrs não estava rindo!". Que doido! Como mentimos na net! Como mentimos pessoalmente! E o próprio sistema de atendimento ao usuário é meio tosco às vezes. Quando vc perde a senha para entrar no Hotmail e pede uma senha nova, não tendo um e-mail alternativo, aparece a janelinha: sua senha foi enviada para o e-mail tal. AQUELE QUE VOCÊ NÃO ABRE PORQUE PERDEU A SENHA! Isso também não faz sentido! (Falar nisso,deveria haver outra denominação para quem usa a internet. "Usuário" lembra dependente de drogas. Bem, pensando melhor, boa parte dos usuários da web SÃO usuários de algum outro tipo de droga...

SOLIDÃO

Quarta-feira é minha folga na escola. A única da semana. Nós que padecemos de insônia, acordamos cedo mesmo quando isso não é necessário. Hoje, como sempre, antes das seis da manhã meus olhos já perscrutavam os objetos ao meu redor, no quarto de república onde moro, obviamente sozinho. Lá pelas 8 e meia, fui para o PC, e vivenciei uma solidão diferente: a solidão da net. Facebook, MSN, Twitter, Orkut... ninguém dos da minha lista estavam on-line. Ninguém para falar sobre nada comigo. O pior da solidão na internet é que mesmo quando você encontra pessoas continua solitário, a virtualidade jamais substituirá a presença física de alguém. E segue a vida com suas "solidões": a solidão do professor diante dos alunos na sala de aula, na verdade nenhum deles está COM o cara perto do quadro-giz; a solidão do barzinho, com os amigos que estão COM a cerveja e o espetinho, não conosco; a solidão em família, com a gente sendo um peso morto e inútil para aqueles que trouxemos ao mundo; a solidão da cama compartilhada com alguém que nada significa e para quem nada somos além de um prazer fugaz, gente com quem ficamos e para quem entregamos nosso corpo, mas não nossa alma nem nosso coração. Gente que beijamos sentindo nos lábios o sabor e a textura da boca daquela que realmente queremos e julgamos amar...
Solidão. Nascemos sós: se sobreviveremos ou não, depende da gente, ninguém empurrou o ar para dentro de nossos pulmões na saída do útero. Morremos sós: mesmo com o quarto de hospital cheio de gente, ou se morremos no meio de uma multidão, a coisa é entre nós e ELA, a (in)Desejada das Gentes.
Voltei a procurar na Grande Rede, peixe nenhum, nem aqueles pequenininhos que não satisfazem. Resolvi sair, vivenciar a solidão urbana em meio aos transeuntes das ruas...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

CONTATO PRELIMINAR

"A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte." A frase é de Gandhi. Passei a não gostar dele como antes depois de ler algumas coisas a seu respeito, e descobrir que o símbolo do pacifismo não era assim tão pacifista... Mas, independente do homem, valem as frases que ele deixou.
Neste meu primeiro post, quero fazer uma citação que tem tudo a ver com o meu atual estado e minha atual condição de vida. A frase é de Sören Kierkegaard, um dos filósofos mais significativos para quem sabe o que é a Vida realmente: eu serei teu ou te será permitido ferir-me tão profundamente, no mais íntimo da minha melancolia [...], ainda que de ti separado, continuo sendo teu".
Espero que possa postar regularmente aqui. Gostaria de tratar de assuntos variados e expressar meu pensamento de forma clara. E amaria ter retorno em forma de comentários.
Volto com mais.